Servidores criticam reforma
administrativa e falta de reajuste salarial em audiência na ALBA
Representantes dos
servidores públicos criticaram a proposta de reforma administrativa (PEC
32/20), enviada pelo Governo Federal ao Congresso, em audiência pública
promovida pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia
Legislativa da Bahia (ALBA), na manhã desta segunda-feira (4).
No encontro, que
teve como tema o “Reflexo da Reforma Administrativa para o Servidor Público
Baiano”, os representantes da categoria também questionaram o fato de estarem
há seis anos sem qualquer reajuste ou recomposição salarial entre 2015 e 2021.
Conduzida pelo
deputado Paulo Câmara (PSDB), vice-presidente da CCJ e autor do requerimento
para realização do evento, a audiência pública ocorreu forma mista, presencial
e virtual (pelo aplicativo zoom), e teve mais de 90 participantes. Essa
presença maciça de servidores foi apontada por Paulo Câmara como sinal do
interesse que o assunto desperta no funcionalismo público.
Ele endossou a
posição de representantes dos servidores que defendem que o Governo da Bahia
negocie algum tipo de aumento salarial em 2022, ainda que não faça toda a
recomposição das perdas inflacionárias que os funcionários públicos baianos
tiveram nesses seis anos sem reajuste.
'“Pode começar com
10%, 8%, mas tem que começar com alguma coisa. Tem que ter algum planejamento
nesse sentido. Não dá só para arrecadar, arrecadar e esquecer quem produz e
quem arrecada que são os servidores”, defende o deputado.
De acordo com o
presidente do Instituto dos Auditores Fiscais (IAF), Marcos Carneiro, o Estado
da Bahia, neste último quadrimestre, teve um acréscimo de receita de 9,2% em
relação ao primeiro quadrimestre do ano. Ele argumentou também que o Estado
deverá ter em 2021 um superávit de R$ 4 bilhões, o que na opinião dele pode ser
utilizado para reajustar o salário do funcionalismo público.
Isso porque,
explicou Marcos Carneiro em sua fala na audiência pública, o percentual do
orçamento destinado a pagamento de pessoal este ano está em torno de 36,9%
enquanto o limite prudencial destinado a este item é de 46,7%, conforme
estabelece a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).
“Essa folga de R$ 4
bilhões, o Governo do Estado pode usar para reposição das perdas
inflacionárias”, pontuou o presidente do IAF. Segundo ele, as perdas dos servidores
entre 2015 e 2021 (Período em que ficaram sem reajuste), está na casa dos 44%.
“No mínimo,
o Executivo deveria, em 2022, repor as perdas inflacionárias deste
ano, que se aproximam de 10% e repactuar os 34% restantes para os quatro anos
seguintes. Se existe folga fiscal para tal finalidade, o Estado precisa assumir
esse compromisso de fazer essa recomposição”, defende Carneiro.
Para o auditor
fiscal aposentado, Renato Falcão, o “arrocho salarial” dos servidores baianos
está ajudando a financiar o Estado. “Não somos iludidos e sabemos que reposição
total imediata não é praticável, mas tem que ser feita alguma reposição, pois
estamos financiando as políticas públicas e isso não é razoável”, afirmou
Falcão.
Em relação a
proposta de reforma administrativa que está sendo elaborada no Congresso
Nacional, os representantes dos servidores foram unânimes em criticá-la.
Para o presidente
da Associação de Defensoras e Defensores Públicos da Bahia (Adep-BA), Igor
Novaes, é um absurdo se falar em reforma administrativa em meio a uma pandemia
da Covid-19, na qual o Estado brasileiro foi extremamente demandado. “E não
falo só sobre a área da saúde, mas sobre as mais diversas áreas em que atuam os
servidores públicos”, disse ele.
Citando seu
segmento como exemplo, Igor Novaes contou que os 400 defensores públicos
baianos não pararam de trabalhar em nenhum momento durante a pandemia. “A
Defensoria Pública é o SUS do mundo jurídico e atendeu nesse período os mais
prejudicados do ponto de vista econômico”, citou ele, para quem existe
atualmente uma guerra de narrativas visando representar o servidor público como
uma classe detentora de benefícios e privilégios. “A verdade é que o Estado não
sobrevive sem o serviço público”.
O promotor de
Justiça, Aldo Rodrigues, representante da Associação do Ministério Público do
Estado da Bahia, também disse ter visto com estranheza os argumentos de que o
funcionário público vive dos privilégios do Estado. “Precisamos muito mostrar à
sociedade a importância do servidor público para o Brasil”, defendeu.
A argumentação da
diretora de Estudos e Pesquisas da Associação dos Gestores Governamentais do
Estado da Bahia (AGGEB), Valéria Peruna, seguiu na mesma linha. Para ela, a
estabilidade que o funcionário público tem direito, por exemplo, nada tem a ver
com privilégio. “Ela é necessária para que o servidor seja capaz de fazer
denúncias, apontar o incorreto e fiscalizar o Estado Brasileiro”, argumentou.
No final da
audiência, Paulo Câmara se comprometeu a promover esses debates na Assembleia
Legislativa, seja com requerimentos para a realização de novas audiências, seja
com intervenções no plenário da Casa ou junto à Mesa Diretora.
“O que mais choca é
a falta de transparência do governo do estado em relação a recomposição
salarial dos servidores. O Governo da Bahia, mesmo com esse superávit
de R$ 4 bilhões, não fala em reajuste e segue contratado cada vez mais pelo
Reda (Regime Especial de Direito Administrativo), que só favorece a contratação
de apadrinhados e desmerece os concursos públicos”, afirmou ele, conclamando os
servidores a pressionarem pela recomposição inflacionária. “O governador Rui
Costa precisa cumprir a Constituição e informar no orçamento para o próximo ano
se dará ou não algum tipo de reajuste ao servidor”, defendeu ele.
FONTE: ALBA
Cadastre seu email e receba nossos informativos e promoções de nossos parceiros.
JUCKLIN CELESTINO - DEPOIMENTO DE EX-GUARDA FISCAL APOSENTADO
Armando Lima - OS PERIGOS DESTA ATUAL PROPOSTA DE REFORMA ADMINISTRATIVA ...